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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cícero - Canções de Apartamento




Por Lucas Barata



Nostalgia e melancolia são as palavras que me alcançam a mente quando ouço o trabalho de Cícero. Carioca da Zona Oeste, antes de se lançar solo integrou a banda Alice com a qual chegou a lançar dois álbuns(Anteluz e Ruído, respectivamente, 2005 e 2007) e, dito por ele a nós da Moustache Underground, tal trabalho solo só foi possível devido à uma viagem que fizera anos atrás com um intuito de aprendizado e reflexão. Bem, dessa viagem nasceu “Canções de Apartamento” lançado nesse ano de 2011 e muito bem recebido pelo público, tendo alcançado dez mil downloads em questão de semanas.
O álbum em si reflete todo o sentimentalismo de Cícero com faixas não muito longas, todas parecem um sopro emocional, uma ode ao seu próprio coração. Todo o álbum transmite uma “tristeza boa”. Ao todo são dez faixas que somam ao todo por volta de 36 minutos de duração. Ele não precisou de mais que isso para transmitir sua proposta, um conjunto de memórias e experiências retocadas com melodias simples e muito bem trabalhadas, fugindo dos clichês de velhas canções tristes. Deve-se também elogiar a atuação de Paulo Marinho(bateria) e Bruno Schulz(teclados, piano e acordeão), ambos se fizeram presentes em suas linhas.
A álbum começa com “Tempo de Pipa” - que se tornou single e já tem clipe –, uma faixa que se inicia com um leve violão e aos poucos vai crescendo até desembocar num refrão estrondoso marcado por um acordeão hipnotizante. Ótima escolha para single, a música fica na cabeça e abre muito bem o CD. Cícero consegue tratar muito bem de suas questões através das suas composições e cada toque que deu as músicas contribuiu para o entendimento do que ele quis oferecer ao público e a si mesmo. Desde pequenas pitadas instrumentais à cantos dos passarinhos, tudo tem suma importância. Além disso, suas letras esbanjam criatividade e personalidade, o que deixa cada música de “Canções de Apartamento” mais íntima. O álbum navega em sentimentos até seu desfecho em “Ponto Cego”, que o conclui do mesmo modo que começa: energético e melancólico.
Cícero parece ter tudo para se tornar um artista de grande relevância no atual cenário musical e, mesmo que seu trabalho a um primeiro momento pareça um tanto repetitivo pelos seus trejeitos musicais, ele não se faz entendiante. “Canções de Apartamento” é como certas experiências da condição humana, é preciso passar por elas mais de uma vez afim de que haja um total entendimento sobre o ocorrido.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Festival da Musica em Niteroi

Por Lucas Barata Machado.

Eis que o meu sábado e o de muita gente que saiu de suas casas para conferir o Festival da Música de Niterói não foi ruim. O evento rolou dia 17 de setembro perto da UFF lá pela tardinha e foi tudo bem. Cerveja enchia o local e não faltou churrasco de gato pra amansar a voraz larica da plateia que  até então fora ver o show de algumas bandas regionais de certo prestígio. Entre elas, vinda direto de Pindamonhangaba após rodar por horas durante a madrugada até chegar em Niterói, estava a Colombia Coffee.
Louvável foi a garra do trio que está rodando por todo Brasil na tour de seu mais novo trabalho, o EP “Pran”, disponível para download no site da banda. Cheguei por volta das 19h e fiquei por lá, bebendo e me divertindo ao som das bandas que se apresentavam. Algumas boas, outras aceitáveis, enfim, todos esperavam pela hora em que o trio o qual o nome, segundo o próprio baixista e vocalista, veio de um romance bogotano que teve iria subir no palco e nos satisfazer tocando músicas inéditas e as faixas de seu primeiro trabalho chamado “Coisas Que Não São”. Deu o horário e eu pude ver do que se tratava: eles esbanjam profissionalismo. Um equipamento muito bom e, mais importante, que eles sabiam usar. Percebi que eles gostam de passar a energia e cada detalhe do estúdio para o palco, o que deixa a performance bem preenchida e não crua. Gostei da atitude e, depois de alguns minutos de espera devido à arrumação de toda parafernália eletrônica, eles começaram o show.
Abriram o show com uma música do primeiro Ep, “Cine Ideal”, e o fizeram com bastante energia. Tudo estava certo, não houve nenhum erro e a plateia gostava do que estava ouvindo. Logo todos começaram a dançar no ritmo da música e a cantar juntos, uma recepção e tanto. No entanto, as coisas começaram a dar errado.
Lá pra o meio da segunda música, o equipamento (não o da banda, mas o do show) começou a falhar e tudo parou pela primeira vez. Alguns segundos depois, a banda retomou de onde estava e seguiu a diante. Infelizmente, isso se sucedeu por uma segunda, terceira, quarta vez, até que em uma das melhores músicas da noite chamada “O Nunca Típico Romance de Paris”, todo o equipamento morre por um longo tempo. A frustração estava visível no rosto do vocalista e baixista, Caio, e, após minutos de espera, tudo volta e eles continuam seu número.
Deixando de lado a precariedade do equipamento do festival, a Colombia Coffee fez um ótimo show. Gozando de profissionalismo, eles souberam fazer com que um show conciso de apenas meia hora de duração fosse animado e eletrizante, deixando o público com vontade de conhecer melhor a banda e seu acervo. Todos são ótimos instrumentistas e até o músico de apoio que está os acompanhando se mostrou muito eficiente. Este foi mais um atestado de que a banda sabe fazer um show ao seu modo, trazendo cada elemento do EP para o ao vivo, enchendo o som e animando toda a galera com seu material cativante. Sem dúvida, um show de qualidade. Toda sorte para a Colombia Coffee que vai percorrer grande parte do Brasil de carro para poder mostrar seu som a todos, e que os locais aonde tocarem tenham uma maior consideração por eles, dando-os condições de se apresentarem magnificamente.

Resenha Colombia Coffe - EP Pran

Por Lucas Barata Machado.

Desde 2009 a banda Colombia Coffee batalha por um lugar, um pódio no meio da cena musical nacional e, se com o lançamento do primeiro EP intitulado “Coisas que não são” isto não foi alcançado, é com o mais novo trabalho da banda que eles se firmam no meio do oceano de bandas que navegam incessantemente no mercado musical brasileiro. “Pran”, o mais novo EP lançado em meados deste ano de 2011 é uma obra que chama a atenção pelo seu ritmo muito mais marcado pelos riffs e batidas dançantes que o trabalho anterior. Ainda que simples, o EP é cheio de pequenos detalhes que dão um maior sabor a cada música. Os vocais são melodiosos e por todo o álbum há pequenos coros que realçam sua sonoridade. Um exemplo disso é a logo a primeira música, chamada “O Nada Típico Romance de Paris”, que nos é revelado de cara as influências da banda. As guitarras bem melódicas estão por toda a canção, um ótimo trabalho de Deborah que parece acertar com sua criatividade a cada nota. Após essa, temos “Ainda Há Mistérios Nessas Calças e Blusas”, que é muito mais marcada pela sua batida e os cowbells frenéticos de Denis e um refrão marcante, além de um riff de contrabaixo sensacional que sustenta a música. Ela até virou clipe e já está disponível no youtube para quem quiser ver e se divertir com a algazarra que estes três músicos construíram. “Sobre O Que É Desenfreado” é, sem sombra de dúvida, a música mais pegajosa do EP. A melodia fica na cabeça desde o primeiro momento, assim que Caio solta a voz e cospe “Eu não sei se vou mais tomar tanto cuidado, olhar para os lados, às vezes não é bom”. Outra faixa bem dançante, deixando explícito que o que a banda quer mesmo é te fazer se divertir e curtir, seja aonde for, seja com quem for. Ela acaba como começa, como um estrondo, uma porrada que te invade a cabeça e desnorteia. Para finalizar “Pran”, nos restam duas músicas: “Sempre Assim” e “Nunca Muito Decente”. A primeira acalma o vendaval das três anteriores, sendo mais suave num lance de sintetizadores e pequenos corais e “papará parara”. Diria que é a faixa mais trabalhada do álbum pois é cheia de pequenos detalhes sonoros que constroem a música, trazendo à tona a influência de bandas como The Strokes do Power Trio. Os pequenos fraseados, os teclados, tudo parece ter sido excepcionalmente planejado para que “Sempre Assim” se tornasse algo tão belo. E pra fechar a obra, vem “Nunca Muito Decente” numa levada bem Arctic Monkeys. Um riff forte acompanhado de batidas dançante, algo que se mostrou presente em todo o EP. Poderosa, ela se encarrega de fechar “Pran” bem, sem deixar aquele ar de sobra que acontece com muitas bandas. “Pran” possui um nível de qualidade que deveria ser tido como o mínimo aceitável em meio as tantas bandas independentes do Brasil. Ele não só é um exemplo de qualidade sonora, é também um exemplo de profissionalismo, mostrando que uma banda não garante sua competência pelo número de integrantes, e sim pelo talento de cada indivíduo e o que ele traz para a ela.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

COLOMBIA COFFEE - Bons Garotos